terça-feira, 18 de setembro de 2007

Poema "Correntes Etéreas"

Correntes Etéreas


Lá fora a Lua flutua serena, no céu, semblante de nau a navegar.
Com o orgulho de velas cheias, atravessa lenta o seu eterno mar.

Em quantas horas solitárias encontraste nela a única confidente?

No fundo do teu Ser, sempre soubeste que não estarias sozinha,
Por mais longos que sejam os oceanos de vida que nos separam.

Sempre que nas horas mais negras sentires que a noite te sufoca
Confia a tua voz a uma brisa passageira, e chama por mim…

Chama por mim, por entre os lábios vermelhos da saudade,
Por entre os suspiros fugazes e os teus cantares de sereia…
Chama por mim, para lá do Tempo que flui em grãos de areia,
Para lá da promessa de olhares efémeros e sonhares pela metade.

Sabes o meu nome, na tua alma… sempre o soubeste.
E eu, eu sempre consegui ouvir os teus gritos de silêncio,
Naqueles intolerantes dias em que nada foi como sonhaste,
Em todas as noites frias nas quais por uma outra voz ansiaste.


Paulo de Sousa Alcoforado (2007)

2 comentários:

Vera disse...

Adoro o teu poema! Já li e reli e encontro sempre novas emoções!
Parabéns poeta!

Mil beijos

Vera disse...

É tão perfeito!
Vim lê-lo novamente!
É daqueles poemas que apetece sublinhar cada verso...

Beijo