Poesia!
Poesia? Poesia.
Era uma vez a poesia: poesia que habitava no pensamento, poesia que habitava no coração. Poesia, irmã da prosa, filha da escrita... ou o enigmático desvendar de humana emoção.
Poesia, poesia, pelo teu nome se sabia que o amor sofria, poesia. Um par de asas, para libertar a mais escondida imaginação.
Poesia. O que eras tu, além de palavras, além de um refrão? Pois bem... poesia, talvez nunca tenhas sido mais que simples ilusão. As palavras fluíam, mas a tua essência era intangível. Poesia? Poesia, ou uma mera assombração.
Um qualquer pensamento sentido, que nasce na palma de uma mão... ou até quem sabe, no suave tinir da nota de uma canção.
Talvez nunca se venha a saber. Assim é a poesia... o silencioso clamor de uma modesta revolução.
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- Paulo de Sousa Alcoforado (2009)
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Summer Days (excerto)
Summer Days
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Sentem-se na pele as primeiras brisas nocturnas de um Verão indeciso.
Aqui e lá, agora e então, passeia por vezes o pensamento em contra-corrente pela Primavera, Inverno e Outono, em estóica contrariedade face aos indiferentes ponteiros do fluir do tempo. Mas nesta estação, o momento presente reina. Os dias de Verão são fugazes, e não permitem distracções… quem neles apenas deriva descobre frequentemente que já passaram.
E depois do Verão? Depois do Verão vem apenas o amanhã. Mas o amanhã é futuro, e o futuro à acção e ao Destino pertence.
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- Paulo de Sousa Alcoforado (2008)
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Sentem-se na pele as primeiras brisas nocturnas de um Verão indeciso.
No céu, uma tela limpa reflecte a dança de estrelas em constelações, que nadam através de águas negras de um nada semi-absoluto. De lá de cima, observam-nos, enquanto orbitamos em torno dos nossos contextos de vida. E ao nível do solo, aqui estamos, observando-as de volta.
Aqui e lá, agora e então, passeia por vezes o pensamento em contra-corrente pela Primavera, Inverno e Outono, em estóica contrariedade face aos indiferentes ponteiros do fluir do tempo. Mas nesta estação, o momento presente reina. Os dias de Verão são fugazes, e não permitem distracções… quem neles apenas deriva descobre frequentemente que já passaram.
E depois do Verão? Depois do Verão vem apenas o amanhã. Mas o amanhã é futuro, e o futuro à acção e ao Destino pertence.
No agora apenas o presente momento habita.
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- Paulo de Sousa Alcoforado (2008)
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Narrativa - O Aprendiz (excerto)
Ao longe, a pequena aldeia fervilhava com actividade, ao aproximar-se o final do dia. O Sol navegava já lentamente em direcção ao seu refúgio nocturno, por detrás das montanhas longínquas do horizonte. Alguns comerciantes procuravam ruidosamente tentar fazer os últimos negócios do dia, como se de uma competição pela atenção de eventuais consumidores se tratasse, enquanto outros se encontravam já a arrumar os seus produtos em grandes carroças de madeira para os retornar aos locais de onde provinham. As restantes pessoas, essas caminhavam calmamente pelos caminhos de terra batida, ou corriam jovialmente, mas preparando-se todas para ultimar os seus afazeres ou prazenteiros passeios e assim retornar às suas casas, para começar a preparar uma noite descansada junto das suas famílias, à fugaz luz de tochas a arder ou de uma lareira a crepitar.
A observar esse cenário bucólico, um homem idoso permanecia sentado, em silêncio, junto à berma do monte, como habitualmente fazia. Há já anos que era essa uma parte da sua rotina diária, ao aproximar-se a hora do Sol Poente. (…) Uma suave brisa nortenha a ondular ligeiramente o seu cabelo branco era a única coisa que parecia conferir alguma vida à sua silhueta imóvel. A alguma distância, um jovem rapaz olhava-o atentamente há já alguns minutos, curioso, escondido atrás de uma árvore. Questionava-se se se deveria aproximar… muitas vezes ao longo da sua ainda curta vida havia pensado em o fazer, mas nunca havia reunido a coragem necessária.
Nesse dia, algo parecia dar-lhe um novo impulso, a motivação necessária. A ousadia para dar um passo de cada vez, em direcção ao alvo da sua curiosidade. A cada passo procurando reduzir a distância que o impedia de ver melhor, na esperança de enfim perceber o que o ancião faria todos os dias, sentado apenas, a olhar para o horizonte.
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- Paulo de Sousa Alcoforado (2008)
A observar esse cenário bucólico, um homem idoso permanecia sentado, em silêncio, junto à berma do monte, como habitualmente fazia. Há já anos que era essa uma parte da sua rotina diária, ao aproximar-se a hora do Sol Poente. (…) Uma suave brisa nortenha a ondular ligeiramente o seu cabelo branco era a única coisa que parecia conferir alguma vida à sua silhueta imóvel. A alguma distância, um jovem rapaz olhava-o atentamente há já alguns minutos, curioso, escondido atrás de uma árvore. Questionava-se se se deveria aproximar… muitas vezes ao longo da sua ainda curta vida havia pensado em o fazer, mas nunca havia reunido a coragem necessária.
Nesse dia, algo parecia dar-lhe um novo impulso, a motivação necessária. A ousadia para dar um passo de cada vez, em direcção ao alvo da sua curiosidade. A cada passo procurando reduzir a distância que o impedia de ver melhor, na esperança de enfim perceber o que o ancião faria todos os dias, sentado apenas, a olhar para o horizonte.
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- Paulo de Sousa Alcoforado (2008)
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Introdução ao livro "Reticências..."
O Livro...
Na escrita, as reticências simbolizam uma comunicação nas entrelinhas. Representam uma comunicação que muitas vezes se situa para além da própria linguagem, seja ela feita de vozes ou de silêncios, de palavras ou de gestos, de presenças, ou simplesmente de ausências.
É nesse contexto que surge este livro, de seu nome “Reticências…”.
“Reticências…” é uma viagem por caminhos sentimentais que se percorrem sem no entanto saber à partida qual o seu destino. Sobre caminhos que estão frequentemente para além do nosso controlo ou escolha, e que muitas vezes nos apanham de surpresa. É um livro sobre a ilusão e a desilusão, no muitas vezes complexo processo de construir uma vida no plano mental e sentimental, uma vida para além do que é meramente material.
É um olhar para o horizonte e ousar sonhar com um tempo ou lugar partilhados, apenas imaginados…
Nos seus poemas, esconde-se a busca de cada pessoa pelo seu lugar nas relações que a rodeiam. A procura de cada indivíduo por um significado mais profundo, a meio de situações do quotidiano coloridas por uma saudade ou desejo, sentimentos esses que por vezes abraçam toda a perspectiva envolvente. É o reflexo de uma busca por si mesmo aliada à secular busca por algo mais, aquele algo raramente definível por palavras, encontrado apenas na companhia de alguém que assume para nós uma importância única e vital.
“Reticências…” é tanto uma homenagem como uma dedicatória.
É um livro no qual se reúnem poemas tanto de amor mútuo como de amor não-correspondido. Poemas cujo contexto vive sempre na imaginação de cada pessoa, de cada leitor… nunca na vontade exclusiva de quem está por detrás da caneta. São poemas abertos à imaginação ou memória de cada um de nós.
“Reticências…” fala-nos sobre a partilha do que é dito e do que fica por dizer. É a consciência ou chamada de atenção para o facto de que o que não é dito entre duas pessoas, à semelhança do que é de facto dito, nunca se esgota num eventual remeter ao esquecimento... é algo real, dentro da pessoa que o sente. Algo com uma presença e influência reais.
Algo que merece ter uma voz.
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