domingo, 16 de dezembro de 2007

Poema "Memórias de um Tempo"

Memórias de um Tempo


Os segundos passam lentamente,
Na imutável órbita de ponteiros frios.

O tempo levou-te para longe, um dia de cada vez.

Terá sido o mesmo tempo que outrora nos juntou?
Tão cruel e imperdoável ele seria, se assim fosse…

Vive em cada minuto um milénio de saudade por ti.
Arde em mim a dor da tua ausência,
Pelo momento de paixão que contigo um dia senti.

Em todas as tuas fotografias há apenas um ténue recordar,
Sobrou no ar apenas um pensamento que se esgota em ti…

Tal como a este quarto
Já não reconheço o meu corpo…
Não sem habitarem nele as tuas mãos,
Toda a essência do teu fogo, e olhar.

Longe de ti, esqueci que os lábios serviam para beijar.
Foi na memória dos teus
Que os meus perderam a vontade de falar.

Longe de ti, esqueci como amar…
Lembro-me apenas que deixei nos teus braços
A vontade de tentar.


- Paulo de Sousa Alcoforado (2007)

3 comentários:

Rosa Maria Anselmo disse...

Amigo Paulo
Um santo Natal!!!!!
beijinhos com sabor a canela

Rosamaria

Vera disse...

Paulo, gosto de tudo o que já li escrito por ti, mas este poema Paulo... Este poema é perfeito! Dos mais belos que já li e tocou-me profundamente.

Um beijo enorme

Anónimo disse...

"Os segundos passam lentamente,na imutável orbita de ponteiros frios"

Fantastica imagem,em meida duzia de "pinceladas"simples mas certeiras...
Já não te lia há uns tempitos...
"Longe de Ti"...Longe de mim!
Gostei...Identifiquei-me muito...
BEIJITO
Alice A.